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terça-feira, 16 de abril de 2013

Como podemos diminuir ações de cyberbullying e a disseminação da cultura do medo no uso das tecnologias digitais nas escolas?

Por AnaMaria Albuquerque - 27/02/2013 às 14:51


Um dos erros mais comuns que encontramos na literatura sobre bullying virtual é o de  mencionar que este problema como sendo mais atual ou necessariamente mais grave que as situações de bullying presencial e fomentando uma cultura de medo quanto ao uso das tecnologias digitais entre os professores nas escolas. Um caso de cyberbullying que ocorreu com uma estudante de uma universidade do sul do país em 1999, nos faz reconhecer que talvez este não seja um problema tão recente no Brasil. Cabe ressaltar também que, foi a partir de 1999 que começaram a surgir os primeiros incidentes mais complexos de cibersegurança no Brasil, decorrentes do barateamento da conexão a internet e maior democratização dela nos lares, nas escolas e nas universidades brasileiras. Portanto, é importante reconhecer que o cyberbullying é um problema mais antigo do que parece em nosso país e talvez tenha ficado imperceptível por alguns anos por não haver, nesta época, estudos ou um termo científico para denominar este tipo de ciberviolência nas escolas. 
 
Contudo, devemos tomar cuidado ao falar que o cyberbullying necessariamente é mais grave que o bullying presencial, pois por mais que o primeiro possa ter uma plateia ilimitada, como ocorreu com o complexo caso canadense do Garoto Guerra nas Estrelas e  cujo incidente envolveu mídias e internautas de vários países, por outro lado, as ações de cyberbullying podem ser mais visíveis que as ações de bullying presencial nas escolas. Outro aspecto a ser ressaltado refere-se ao fato de o comportamento violento estar registrado na web, o que pode facilitar a denúncia por parte da vítima ou das testemunhas, e auxiliar a escolae os pais dos alunos a agir de forma mais efetiva para denunciar e tomar atitudes para enfrentar o problema. 
 
Outro aspecto a ressaltar é que se torna muito importante que no trabalho de prevenção ao cyberbullying se evite instalar ou reforçar nas escolas uma cultura de medo no uso das tecnologias digitais, pois isso pode ser visto como mais um tipo de barreira ao uso criativo e saudável das tecnologias digitais por alunos e educadores. Portanto, a melhor forma de combater as práticas de cyberbullying nas escolas é de se fazer um trabalho de prevenção voltado para um uso ético e de como lidar de forma mais efetiva com questões juvenis no uso das tecnologias digitais. A maioria dos jovens faz um uso saudável das tecnologias digitais e apenas uma pequena parcela a utiliza da forma arriscada ou violenta. Devemos evitar ao máximo outro tipo de violência escolar comum que é a de manter as portas dos laboratórios de informática fechadas promovendo a exclusão digital de uma parcela da população de crianças e jovens brasileiros. 

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