Um dos erros mais comuns que encontramos na literatura sobre bullying virtual é o de mencionar que este problema como sendo mais atual ou necessariamente mais grave que as situações de bullying
presencial e fomentando uma cultura de medo quanto ao uso das
tecnologias digitais entre os professores nas escolas. Um caso de cyberbullying que
ocorreu com uma estudante de uma universidade do sul do país em 1999,
nos faz reconhecer que talvez este não seja um problema tão recente
no Brasil. Cabe ressaltar também que, foi a partir de 1999 que começaram
a surgir os primeiros incidentes mais complexos de cibersegurança no
Brasil, decorrentes do barateamento da conexão a internet e maior
democratização dela nos lares, nas escolas e nas universidades
brasileiras. Portanto, é importante reconhecer que o cyberbullying é
um problema mais antigo do que parece em nosso país e talvez tenha
ficado imperceptível por alguns anos por não haver, nesta época, estudos
ou um termo científico para denominar este tipo de ciberviolência nas
escolas.
Contudo, devemos tomar cuidado ao falar que o cyberbullying necessariamente é mais grave que o bullying
presencial, pois por mais que o primeiro possa ter uma plateia
ilimitada, como ocorreu com o complexo caso canadense do Garoto Guerra
nas Estrelas e cujo incidente envolveu mídias e internautas de vários
países, por outro lado, as ações de cyberbullying podem ser mais visíveis que as ações de bullying presencial nas escolas. Outro aspecto a ser ressaltado refere-se ao fato de o comportamento violento estar registrado na web, o
que pode facilitar a denúncia por parte da vítima ou das testemunhas, e
auxiliar a escolae os pais dos alunos a agir de forma mais efetiva para
denunciar e tomar atitudes para enfrentar o problema.
Outro aspecto a ressaltar é que se torna muito importante que no trabalho de prevenção ao cyberbullying se
evite instalar ou reforçar nas escolas uma cultura de medo no uso das
tecnologias digitais, pois isso pode ser visto como mais um tipo de
barreira ao uso criativo e saudável das tecnologias digitais por alunos e
educadores. Portanto, a melhor forma de combater as práticas de
cyberbullying nas escolas é de se fazer um trabalho de prevenção voltado
para um uso ético e de como lidar de forma mais efetiva com questões
juvenis no uso das tecnologias digitais. A maioria dos jovens faz um uso
saudável das tecnologias digitais e apenas uma pequena parcela a
utiliza da forma arriscada ou violenta. Devemos evitar ao máximo outro
tipo de violência escolar comum que é a de manter as portas dos
laboratórios de informática fechadas promovendo a exclusão digital de
uma parcela da população de crianças e jovens brasileiros.
Nenhum comentário:
Postar um comentário