Segundo Dell"Aglio e Santos (2011) os fatores de risco são considerados
como aqueles que se relacionam com todo o tipo de eventos negativos na
vida e que quando ocorrem podem predispor a pessoa a apresentar
problemas físicos, sociais ou emocionais. Sob esta ótica, podemos
considerar que as situações de bullying escolar podem gerar problemas de saúde físicos, emocionais e também problemas sociais. Contudo, por mais que a literatura sobre bullying procure
delimitar os principais fatores de risco envolvidos, por outro lado,
podemos nos perguntar: por que em uma escola com clima escolar hostil,
alguns alunos sofrem e adoecem com o bullying escolar e outros
não? Uma das respostas decorre do fato de que não é possível delimitar
de forma exata os fatores de risco e de proteção ao bullying escolar,
pois o que é considerado fator de risco para um aluno pode ser para
outro fator de proteção e um exemplo de comportamento a não ser seguido.
Assim, um evento potencialmente estressor tem impactos diferenciados
entre os alunos das escolas e para um mesmo estudante em diferente
momentos de sua vida.
Portanto, um evento-chave indicador de risco, por exemplo, que é de visualizar o bullying cometido
a um aluno como parte de uma plateia, pode não se constituir como tal.
Para que isso ocorra é necessário que haja uma interação particular de
eventos anteriores e posteriores ao evento-chave indicador de risco.
Assim, no caso de um aluno que visualize um padrão de agressão
repetitivo contra outro estudante ele pode reforçar o comportamento de
bullying do agressor à vítima ao rir da situação, como também pode ser
aquele que irá denunciar a agressão escolar e por isso ser um fator de
proteção e assim tentar resolver o problema ao acionar mecanismos de
proteção que possa existir na escola para combater este tipo de
violência escolar. Daí a importância de fazer um trabalho preventivo ao bullying envolvendo a plateia.
Desta forma, enquanto os fatores de vulnerabilidade podem exarcerbar os
efeitos das condições adversas, por outro lado, os fatores de proteção
os amortecem. Assim, os fatores de proteção referem-se às influências
que favorecem reações e respostas pessoais positivas a determinados
comportamentos de risco e se referem à maneira como o indivíduo lida com
as mudanças e as experiências adversas, tais como a de ser vítima de bullying
escolar. Também ressalta o fato de os fatores de proteção poder estar
relacionados a características de personalidade (autoestima), aos laços
afetivos dentro da família (coesão e harmonia familiar) e à
disponibilidade de sistemas externos de apoio que ajude o indivíduo a
lidar melhor com as circustâncias da vida (como uma escola que possua
uma programa de prevenção e combate a violência escolar).
Outro fator de proteção importante é o conceito de resiliência para que
possamos compreender melhor o porquê de alguns alunos adoecerem em
situações de bullying escolar e outros não. Segundo Dell"Aglio e
Santos (2011), a resiliência é uma resposta adaptativa à adversidade,
envolvendo não somente características individuais, como também os
sistemas de relações que envolvem este aluno. Assim, trabalhar a
resiliência dos alunos é uma forma da escola promover a saúde escolar e a
prevenção de doenças relacionadas ao fenômeno do bullying presencial e virtual.
Referências
DELL"AGLIO, Débora; SANTOS, Lene. Em: SILVA, Eroy Aparecida; DE MICHELLI, Denise (orgs). Adolescência, Uso e Abuso de Drogas: Uma Visão Integrativa. São Paulo: Fap-Unifesp, 2011.
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